Encontrou um cão-guia acompanhando seu tutor? Saiba como agir

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Encontrar uma pessoa com deficiência visual acompanhada por um cão-guia pode despertar curiosidade, admiração e até vontade de interagir com o animal.

A relação entre os dois chama a atenção pela confiança, pela sintonia e pela forma como caminham juntos.

Mas existe uma questão fundamental que todos deveriam conhecer:

Como devemos agir quando encontramos uma pessoa com deficiência visual acompanhada por um cão-guia?

A resposta começa pelo respeito à autonomia da dupla.

No Cão guiAmigo, preferimos falar que o cão-guia está acompanhando seu tutor ou atuando em parceria com ele, em vez de simplesmente dizer que o cão está “trabalhando”.

Essa escolha de palavras não acontece por acaso. Ela representa uma diferença importante na maneira como compreendemos a relação entre o cão e a pessoa com deficiência visual.

Antes de tudo: respeite a dupla

Quando uma pessoa está acompanhada por um cão-guia durante um deslocamento, o mais importante é permitir que ambos possam seguir seu caminho sem interferências desnecessárias.

Isso significa não chamar o cão, não fazer carinho sem autorização, não oferecer alimentos e não tentar brincar ou estabelecer qualquer outra interação que possa modificar a situação.

Mesmo quando a intenção é positiva, uma interferência externa pode alterar a atenção do animal ou simplesmente dificultar a experiência da pessoa que está se deslocando.

O cão-guia não está sozinho nessa tarefa

É comum ouvir expressões como “o cão está trabalhando” ou “não distraia o cão porque ele está trabalhando”.

Essa maneira de falar faz parte do vocabulário tradicional relacionado aos cães-guia e é amplamente utilizada.

No Cão guiAmigo, entretanto, escolhemos utilizar uma linguagem que enfatiza outro aspecto dessa relação.

O cão-guia não deve ser compreendido apenas como um animal que executa tarefas isoladas. Ele faz parte de uma dupla, construída a partir de vínculo, confiança, comunicação e parceria.

Por isso, quando essa dupla está em deslocamento, preferimos dizer que o cão está acompanhando seu tutor e que ambos estão atuando juntos.

A linguagem também ajuda a construir a maneira como a sociedade compreende essa relação.

Por que não devemos chamar a atenção do cão-guia?

Quando o cão está acompanhando seu tutor, sua atenção está relacionada ao ambiente, à pessoa que acompanha e às situações encontradas durante o deslocamento.

Uma pessoa desconhecida chamando o cão pode parecer uma atitude inofensiva. Entretanto, qualquer interação externa pode representar uma mudança de foco.

Por isso, algumas atitudes devem ser evitadas:

  • chamar o cão pelo nome;
  • fazer carinho sem autorização;
  • oferecer alimentos;
  • oferecer brinquedos;
  • assobiar ou fazer sons para chamar sua atenção;
  • tentar brincar com ele;
  • aproximar outro animal de maneira inadequada;
  • tentar fotografá-lo muito de perto;
  • tentar conversar diretamente com o cão para obter sua atenção.

A melhor forma de demonstrar respeito é permitir que o cão continue acompanhando seu tutor sem interferências.

Mas o cão pode perceber essas coisas?

Sim. Um cão percebe sons, cheiros, movimentos, pessoas, outros animais e inúmeras informações presentes no ambiente.

Perceber um estímulo, entretanto, não significa necessariamente modificar o comportamento diante dele.

Por isso, não devemos confundir simplesmente perceber um estímulo com perder a capacidade de atuar adequadamente. A resposta depende do indivíduo, de sua preparação, de suas experiências e do contexto.

E se eu quiser fazer carinho?

A vontade de acariciar um cão-guia é completamente compreensível.

Porém, quando o cão está acompanhando seu tutor, não devemos simplesmente nos aproximar e fazer carinho.

Se existir uma situação apropriada para interação, a iniciativa deve partir da pessoa responsável pelo cão naquele momento.

O cão ser amigável não significa que qualquer pessoa possa interagir com ele a qualquer momento.

Essa distinção é importante porque um cão-guia continua sendo um animal com características próprias, mesmo quando exerce uma função de assistência.

Posso falar com a pessoa?

Sim.

Se você quiser conversar, fale diretamente com a pessoa com deficiência visual, e não com o cão.

Em vez de chamar o animal para iniciar uma interação, você pode simplesmente perguntar:

“Posso fazer uma pergunta sobre o seu cão-guia?”

Dessa forma, você estabelece uma comunicação respeitosa e permite que a pessoa decida se deseja conversar naquele momento.

Também é importante não tocar na pessoa ou tentar conduzi-la fisicamente sem que ela tenha solicitado ajuda.

E se eu quiser ajudar?

Essa é uma situação em que boas intenções podem acabar produzindo uma interferência desnecessária.

Ao encontrar uma pessoa com deficiência visual acompanhada por um cão-guia, alguém pode imaginar que ela precisa de ajuda para atravessar uma rua, encontrar determinado local ou desviar de algum obstáculo.

Mas a presença de um cão-guia não significa que a pessoa esteja desorientada ou incapaz de realizar seu próprio deslocamento.

O cão e seu tutor formam uma dupla preparada para atuar em conjunto.

Se você realmente acreditar que uma ajuda pode ser necessária, pergunte antes de agir.

“Você precisa de ajuda?”

Essa simples pergunta é muito mais respeitosa do que segurar a pessoa pelo braço, puxá-la ou tentar conduzi-la sem autorização.

Se a resposta for não, respeite.

A autonomia da pessoa deve ser preservada.

Uma ajuda só é ajuda quando é aceita

A deficiência visual não retira da pessoa o direito de decidir como deseja realizar seu deslocamento.

Oferecer ajuda é uma atitude positiva. Impor ajuda, entretanto, pode transformar uma boa intenção em uma interferência. Por isso, perguntar antes de agir é uma das formas mais simples de respeitar a autonomia.

E quando o cão não estiver acompanhando seu tutor?

Um cão que possui a função de cão-guia pode estar em diferentes situações ao longo do dia.

Quando não está acompanhando seu tutor em um deslocamento, podem existir momentos apropriados para interação.

Mesmo assim, a autorização da pessoa responsável pelo cão deve ser sempre considerada.

O fato de o cão ser dócil, sociável ou demonstrar interesse por alguém não significa que qualquer pessoa possa interagir com ele a qualquer momento.

Respeitar essa condição também faz parte de compreender o papel que aquele animal exerce na vida de seu tutor.

Uma mudança de linguagem também pode mudar a forma de enxergar

No Cão guiAmigo, acreditamos que a maneira como falamos sobre cães-guia influencia a maneira como a sociedade compreende esses animais e, principalmente, a relação que eles estabelecem com seus tutores.

Por isso, optamos por valorizar palavras como:

parceria, vínculo, acompanhamento, confiança, autonomia e atuação conjunta.

Não se trata de afirmar que toda pessoa que utiliza a expressão “cão trabalhando” esteja necessariamente transmitindo uma ideia equivocada.

Essa expressão faz parte do vocabulário tradicional relacionado aos cães-guia.

Nossa proposta é diferente: construir uma linguagem que represente melhor os princípios da Metodologia Cão guiAmigo.

Para nós, o cão-guia não deve ser compreendido apenas pelo que executa, mas também pelo vínculo que constrói com seu tutor e pela parceria desenvolvida ao longo de sua formação.

Não queremos apenas mudar palavras.

Queremos ampliar a forma de compreender a dupla.

Respeitar o cão-guia é respeitar a dupla

Quando você encontrar uma pessoa com deficiência visual acompanhada por um cão-guia, algumas atitudes simples podem fazer toda a diferença:

  • Não chame o cão.
  • Não faça carinho sem autorização.
  • Não ofereça alimentos.
  • Não ofereça brinquedos.
  • Não tente brincar ou interagir com o animal.
  • Não tente conduzir a pessoa sem que ela peça ajuda.
  • Se precisar falar, fale diretamente com a pessoa.
  • Se acreditar que ela precisa de ajuda, pergunte antes de agir.

Essas atitudes contribuem para que a dupla possa continuar seu deslocamento com tranquilidade, segurança e autonomia.

Mais do que não distrair: compreender a parceria

Respeitar um cão-guia não significa apenas saber que não devemos distraí-lo.

Significa compreender que existe uma relação construída entre duas partes.

Existe um cão que foi preparado para exercer uma função de assistência e existe uma pessoa que desenvolveu com ele uma relação de confiança e comunicação.

Existe uma dupla.

E essa dupla precisa ter sua autonomia respeitada.

É justamente essa perspectiva que o Cão guiAmigo busca compartilhar.

Mais do que ensinar o que fazer diante de um cão-guia, queremos ajudar a sociedade a compreender quem está diante dela: uma dupla que construiu uma parceria para viver e se deslocar com mais segurança, autonomia e liberdade.

Cão guiAmigo: informação também transforma

Acreditamos que conhecimento é uma das ferramentas mais importantes para construir uma sociedade verdadeiramente acessível.

Quando as pessoas compreendem melhor o papel do cão-guia, passam a saber como agir diante de uma dupla e, principalmente, passam a enxergar a pessoa com deficiência visual com mais respeito à sua autonomia.

Por isso, cada informação compartilhada pelo Cão guiAmigo tem um propósito maior:

informar, conscientizar e contribuir para uma nova forma de compreender a relação entre pessoas com deficiência visual e seus cães-guia.

E essa transformação também começa pelas palavras que escolhemos usar.


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