Essa é, sem dúvida, uma das perguntas que mais ouvi ao longo dos anos — mesmo antes de imaginar que um dia me tornaria uma pessoa com deficiência visual.
A primeira vez que ouvi falar no custo de um cão-guia, confesso: fiquei assustado. Descobrir que treinar um cão desses pode custar o equivalente a um carro popular foi, no mínimo, surpreendente.
Mas é importante entender que existe uma grande diferença entre preço e valor. No modelo convencional, o custo é elevado porque envolve centros de treinamento que funcionam 24 horas por dia. São estruturas completas, com manutenção constante e equipes dedicadas — treinadores, cuidadores, veterinários — todos trabalhando juntos para formar um cão preparado para transformar vidas.
Agora, e no caso do projeto Cão guiAmigo, onde não há um centro físico tradicional? O custo seria zero?
Não. Ainda que o modelo alternativo reduza drasticamente os custos — justamente por ser mais simples e acolhedor — ele ainda exige investimentos. Afinal, vivemos num país onde grande parte da população enfrenta dificuldades financeiras, e para uma pessoa com deficiência, infelizmente, os obstáculos são ainda maiores. Por mais talento, inteligência ou potencial que alguém tenha, parece que está sempre no fim da fila das oportunidades.
Treinar um cão-guia no modelo tradicional custa cerca de R$ 80 mil. Mas mais do que números, o que realmente importa é o impacto que esses cães causam em nossas vidas. Estar ao lado deles, sentindo sua presença, sua parceria, sua dedicação... isso, sinceramente, não tem preço.